Vivemos em uma era digital onde a proteção de informações é vital para a sobrevivência corporativa. Adotar medidas robustas de segurança tornou-se um imperativo, e entender o cenário brasileiro é o primeiro passo para se fortalecer contra ameaças.
Panorama do Investimento em Cibersegurança no Brasil
O compromisso com a segurança digital no Brasil ganha força. investimento projetado de R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028 reflete um crescimento de 43,8% no período. Esse volume coloca o país como líder sul-americano, figurando no Tier 1 do Global Cyber Security Index da UIT.
Empresas e órgãos públicos aumentam gradualmente os recursos destinados a proteger dados, redes e sistemas. A conscientização sobre a importância de alinhar políticas internas a padrões internacionais tem impulsionado essa trajetória ascendente, tornando o Brasil referência na região.
Volume e Tipos de Ataques Cibernéticos
Mesmo com avanços no investimento, o Brasil ainda enfrenta um cenário desafiador. Em 2023, houve 60 bilhões de tentativas de ataques, número que, embora tenha caído em relação a 2022 (103 bilhões), permanece alarmante.
Os setores mais afetados incluem órgãos públicos, saúde, bancos, educação, manufatura, telecomunicações, turismo e transporte. As principais ameaças envolvem ransomware, vazamento de dados e fraudes financeiras:
- Golpe da central falsa (26% dos ataques bancários)
- Phishing por chamadas telefônicas ou SMS (16% e 11%)
- Golpes via Pix, usando QR code falso e engenharia social
- Ransomware, com o Brasil respondendo por 2% das vítimas globais
Grupos como LockBit, Babuk2 e Akira intensificam ataques, destacando a necessidade de defesas preparadas para múltiplos vetores.
Prejuízo Financeiro e Impactos Empresariais
Os custos decorrentes de incidentes cibernéticos podem ser devastadores. Globalmente, o valor médio de uma violação corporativa chega a US$ 4,88 milhões. No Brasil, esse montante foi de custo médio de US$ 1,36 milhão em 2024, representando um aumento de 11,5% sobre o ano anterior.
Um terço das empresas brasileiras reportou perdas de pelo menos US$ 1 milhão nos últimos três anos. Além disso, 84% delas pagaram resgates em tentativas de recuperação de dados. Esse cenário reforça a urgência em fortalecer a resiliência corporativa.
Vulnerabilidades e Falhas Expostas
A exposição de dados críticos é uma realidade constante. Vazamentos emblemáticos, como o do Pix, afetaram 11 milhões de cidadãos, revelando fragilidades em infraestruturas essenciais.
Prefeituras, tribunais e plataformas digitais são alvos frequentes, explorando brechas em softwares desatualizados e configurações inseguras. Apenas 44% das empresas envolvem a alta administração em estratégias de segurança, enquanto 79% sentem-se mais expostas devido à rápida evolução tecnológica.
Preparação das Empresas e Resiliência
Muitas organizações reconhecem a importância de estar preparadas. Embora 97% declarem possuir um plano estruturado de ciber-resiliência, apenas 48% confiam integralmente nessas medidas. No cenário global, apenas 2% das empresas implementaram totalmente ações de resiliência.
O tempo médio para restaurar dados após um incidente varia de um a três dias, mas cada hora de inatividade pode representar prejuízos significativos. Observa-se ainda um gap alarmante entre percepção e alocação de recursos, com segurança de TI sendo prioridade, mas ficando em quarto lugar nos orçamentos planejados.
Carência de Profissionais e Capacitação
O déficit de especialistas em segurança da informação permanece como um desafio crônico. Entre 2015 e 2024, houve crescimento anual médio de 16,1% em contratações, mas a demanda ainda supera em muito a oferta, elevando custos e prejudicando a capacidade de resposta.
Iniciativas como o programa Hackers do Bem buscam mitigar esse problema, com a meta de formar 30 mil profissionais até o fim de 2025. No entanto, deficiências na capacitação de profissionais continuam sendo um ponto sensível para empresas de todos os portes.
Tendências e Regulamentações
O ambiente regulatório tem impulsionado investimentos e aprimoramentos. Atualmente, 100% dos líderes brasileiros afirmam que a legislação motivou mais recursos para segurança, e 89% dizem que fortaleceu suas posturas de proteção.
Para 2025, as principais tendências incluem:
- Incorporação de Inteligência Artificial em sistemas de defesa
- Automação de resposta a incidentes e orquestração de processos
- Aprimoramento da resiliência operacional e testes de invasão frequentes
- Foco em riscos relacionados à nuvem, terceirização e infraestrutura crítica
Essas movimentações acendem um alerta para que as empresas mantenham planejamento estratégico e atualizações constantes.
Boas Práticas e Recomendações
Adotar uma postura proativa pode reduzir drasticamente os riscos. A seguir, algumas ações essenciais:
- Integração estratégica de CISOs em decisões corporativas para centralizar a visão de segurança
- Gestão de riscos com quantificação financeira de ameaças e impactos
- Implementação de planos estruturados de resposta e backup para minimizar tempo de recuperação
- Capacitação contínua de colaboradores, promovendo cultura de segurança
- Revisão periódica de políticas e simulações de incidentes para testar defesas
Ao combinar essas práticas, as organizações podem construir um ciclo virtuoso de proteção, resposta e melhoria contínua.
Em um mundo cada vez mais conectado, a cibersegurança deixa de ser um detalhe e se torna um pilar estratégico para a sustentabilidade dos negócios. Investir em pessoas, processos e tecnologia é transformar vulnerabilidades em fortalezas capazes de garantir a integridade dos dados e a continuidade das operações.
Ao encarar a cibersegurança como parte integrante do planejamento estratégico, as empresas brasileiras podem não apenas reagir a incidentes, mas antecipá-los. A adoção de métricas claras e o engajamento de toda a organização contribuem para consolidar uma cultura de defesa contínua.
Cibervigilância, resiliência e inovação caminham juntas na construção de um ambiente digital mais seguro e próspero. O momento de agir é agora: fortaleça suas defesas e proteja o patrimônio mais valioso da sua empresa: os dados.
Referências
- https://fenati.org.br/brasil-investira-bilhoes-em-ciberseguranca-ate-2028/
- https://telesintese.com.br/ciberseguranca-investimento-no-brasil-somara-r-104-bi-ate-2028/
- https://www.welivesecurity.com/pt/seguranca-digital/ciberataques-no-brasil-em-2025-prejuizos-e-falhas-expostas/
- https://ibsec.com.br/ataques-ciberneticos-globais-crescem-44-diz-estudo-de-2025/
- https://www.pwc.com.br/pt/sala-de-imprensa/release/pwc-um-terco-das-empresas-brasileiras-registraram-perdas-de-pelo-menos-US-1-milhao-em-ciberataques.html
- https://convergenciadigital.com.br/mercado/hackers-elegem-empresas-nacionais-para-atacar-e-84-pagaram-resgate-para-resgatar-dados/
- https://segura.security/pt-br/post/estatisticas-de-ciberseguranca/
- https://news.microsoft.com/source/latam/ia-pt-br/extorsao-e-ransomware-impulsionam-mais-da-metade-dos-ataques-ciberneticos/?lang=pt-br







